sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Á LUZ DA BÍBLIA, A ELEIÇÃO É CONDICIONAL E A EXPIAÇÃO É UNIVERSAL QUALIFICADA.


Por Silas Daniel

De vez em quando alguns cristãos se deparam com antigos questionamentos teológicos que os levam a debater-se interiormente. Alguns dizem respeito ao livre-arbítrio, à Predestinação, à Eleição e à Expiação. Portanto, vejamos uma exposição sintética sobre esses temas à luz das Escrituras.
Em primeiro lugar, é importante dizer que, à luz da Bíblia, o homem não regenerado é escravo do pecado e incapaz de servir a Deus com suas próprias forças (Rm 3.10-12), mas, por ainda ter em si resquícios da imagem de Deus, ele tem capacidade (livre-arbítrio) de, mesmo no estado caído, corresponder com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. A iniciativa é sempre de Deus, já que o homem, em seu estado caído, não pode e não quer tomar a iniciativa.  Ele precisa primeiro ser convencido para depois ser convertido, e quem convence o homem é o Espírito Santo (Jo 16.8-11). É Deus, portanto, quem desperta o interesse de salvação no homem (Jo 6.44 e At 16.14). Tal desejo, porém, depois de despertado, pode ser resistido (Hb 3.7-19; 10.23-29; 10.39 e 12.25; At 7.51 e 13.46; Mt 23.37; 2 Pd 2.1,2,20,21; 2 Cr 15.2; 1 Tm 4.1; 2 Tm 2.12 e Tg 4.8). Se o homem aceita a oferta de Salvação, ele é salvo por Deus e o Espírito opera a regeneração.
Assim como a iniciativa para a salvação é sempre de Deus (Ef 2.4-9), a regeneração é operada tão somente por Deus. Não é pelas próprias forças do homem que ocorre a regeneração, mas pelo poder do Espírito (Tt 3.3-7). Ou seja, o livre-arbítrio é claro (Dt 30.19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Is 1.19,20; Sl 119.30; At 10.43; Jo 1.12 e 6.51), mas não é ele que salva o homem. É Deus quem opera a Salvação no homem e o transformar pelo poder do Espírito Santo quando ele aceita a Salvação. E mesmo no livre-arbítrio há a soberania divina, pois foi Deus quem deu essa capacidade de escolher ao homem, capacidade esta que é resquício da imagem divina nele. Deus, em sua soberania, criou homens livres.
Em segundo lugar, à luz da Bíblia, a Eleição é condicional. A Eleição divina não é escolha arbitrária de Deus, mas frut. De sua presciência (Rm 8.29,30).
Deus quer que todos se salvem (At 10.34 e 17.30-31; 1 Tm 2.4; 2 Pd 3.9 e Rm 11.32), mas os eleitos de Deus são aqueles que o aceitam (Jo 7.37-38 e Ap 22.17), cuja decisão já era conhecida por Deus por ser Ele onisciente e presciente, isto é, sabe de todas as coisas antes de todas as coisas acontecerem.
A Bíblia sempre fala de predestinação à vida eterna em Cristo. Efésios mostra isso. Aliás, os termos “em Cristo Jesus”, “no Senhor” e “Nele” ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo, sendo que 36 vezes só em Efésios, onde está o recorde. Ou seja, se queremos entender bem Efésios, devemos começar a atentar para a palavra chave da epístola: “em Cristo”. Ora, mais de uma vez é dito em Efésios 1 que a predestinação ocorre em Cristo. Ou seja, a predestinação e a eleição não são para estar em Cristo.
Clarificando: para aqueles que estão em Cristo está destinado desde a fundação do mundo a Salvação; a quem não estiver Nele, a perdição. Enquanto você estiver Nele, seu destino é o Céu. Enquanto não estiver Nele, o Inferno. O critério é estar Nele. Como afirma Paulo, Deus nos elegeu “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), mas Cristo só vai “vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do Evangelho” (Cl 1.22,23). Está claro: a eleição é condicional. E qual a condição? Estar em Cristo: “... nos elegeu nele...” (Ef 1.4).
Finalmente, à luz da Bíblia, a Expiação de Cristo é universal qualificada. Como assim?
Cristo morreu por todos (Jo 3.16; 6.51; 2 Co 5.14; Hb 2.9 e 1 Jo 2.2), mas sua obra salvífica só é elevada a efeito naqueles que se arrependem e crêem (Mc 16.15,16 e Jo 1.12). Ela é suficiente mas só se torna eficiente na vida daqueles que sinceramente se arrependem do seus pecados e aceitam a Cristo como único e suficiente Salvador e Senhor de suas vidas. A Expiação de Cristo foi feita para toda humanidade, mas só os que a aceitam usufruem de sua eficácia.
Conquanto existam passagens que afirmam que Cristo morreu pelas ovelhas (Jo 10.11,15), pela Igreja (At 20.28 e Ef 5.25) ou por “muitos” (Mc 10.45), o que sugeriria que a Expiação é Limitada, a Bíblia afirma claramente em muitas outras passagens que a Expiação é universal em seu alcance (Jo 1.29; Hb 2.9 e 1 Jo 4.14), o que deixa claro que as passagens que dão uma idéia de ela ter sido limitada nada mais são do que referências à eficácia da Expiação e não ao seu alcance.  Quando a Bíblia associa naturalmente e enfaticamente os que crêem em Cristo à obra expiadora, está apenas frisando a eficácia da Expiação e não seu alcance (Jo 17.9;Gl 1.4; 3.13; 2 Tm 1.9; Tt 2.3 e 1 Pe 2.24).
Porém, ainda há quem argumente que se a Expiação é universal, mas só crida e aceita por alguns e não por todos, isso significa que ele teria sua eficácia comprometida. Claro que não! O fato de muitos usufruírem dela já demonstra sua eficácia. Ela só não seria eficaz se ninguém se salvasse.
A salvação de todos não é a condição sine qua non para a eficácia da Expiação, mas o é, tão somente, a consecução da Salvação. Se muitos são os salvos por essa Expiação, esta já é eficiente. Não houve “desperdício” pelo fato de seu alcance ser universal, mas nem todos serem salvos. Além disso, se crermos que a Expiação de Cristo é limitada, o que seria um sacrifício que proporcionasse uma Expiação Ilimitada? Jesus sofreria um pouco mais na cruz?
Outro fato: uma Expiação Limitada é uma contradição ao ensino bíblico de que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17 e At 10.34). Deus é soberano, mas isso não significa que Ele fará alguma coisa que contradiga o seu caráter santo e amoroso. Lembremos ainda que uma hermenêutica prudente interpreta uma passagem ou passagens observando o contexto geral sobre o assunto na Bíblia. A Bíblia se explica por meio dele mesma. Portanto, se ela afirma que Deus é santo, justo e amor, e não faz acepção de pessoas ; e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.3,4); e que a Expiação foi por “todos” (1 Tm 2.6 e Hb 2.9); logo, as passagens em que há alusão a “muitos” devem ser interpretadas à luz dessas outras. E quando o fazemos, percebemos que as passagens que aludem a “muitos” não se referem ao alcance da Expiação, que é universal, mas à eficácia dela para os “muitos” que a receberam por fé.
Além disso, como frisa o teólogo norte-americano Daniel Pecota, não se pode simplesmente desconsiderar o significado óbvio de alguns textos sem ir além da credibilidade exegética. Quando a Bíblia diz que: “Deus amou o mundo” (Jo 3.16)ou que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29) ou que Ele é o “Salvador do mundo” (1 Jo 4.14), significa isso mesmo. Em texto algum do Novo Testamento, “mundo” se refere à Igreja ou aos eleitos. Escreve o apóstolo João, referindo-se a Cristo e à Expiação: “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos pecados, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).


Silas Daniel é pastor, jornalista, comentarista das revistas Adolescentes e Juvenis de Escola Dominical da CPAD e autor do livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD).  

Jornal Mensageiro da Paz de Maio de 2008. Pág. 25.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A REFORMA PROTESTANTE E OS PENTECOSTAIS

Por Esequias Soares

Por ocasião das comemorações da Reforma Protestante, um conhecido pastor brasileiro afirmou, em declaração infeliz, que “uma igreja que pratica companha, jejum ou reuniões específicas para receber uma benção não é protestante”, concluindo em seguida que pentecostais não podem ser considerados protestantes, o que merece uma resposta bíblica.
No último 31 de outubro, a Reforma Protestante completou 488 anos de história. A suprema conquista da Reforma foi o reconhecimento das Sagradas Escrituras como a fonte única da doutrina, do conteúdo da fé cristã. A salvação é somente pela graça, recebida somente pela fé de cada cristão.
Martinho Lutero veio em primeiro lugar como fundador de um movimento que se perpetuou, ao passo que “Igrejas Reformadas” é o termo aplicado às que seguiram o movimento de João Calvino. Eles próprios se submeteriam ao consenso do que as Sagradas Escrituras ensinam. Daí Calvino dizer que “a igreja reformada sempre deve esta se reformando”, enquanto que a mentalidade do irmão mais velho do filho pródigo quer uma rigidez no ponto até onde alcançou, e não há vaga para os demais. Isto é: as conquistas religiosas dos tempos da Reforma não conseguiram impedir que o Espírito Santo continuasse falando aos crentes.
Historicamente, a igreja quando passou a ser a religião oficial do Império Romano, já sem perseguições e martírios, foi desenvolvendo um sistema de jejuns meritórios, justamente o que se critica. Os reformadores, diante disso, rejeitavam dias obrigatórios de jejuns. Por outro lado, a volta sistemática aos ensinos bíblicos pelas igrejas verdadeiramente fiéis trouxe de volta o jejum no seu sentido espiritual, de comunhão com Deus, de buscas a sua presença e com fé.
O jejum, na Bíblia, inclui abstinência de todos os alimentos durante determinado período de tempo. É normalmente vinculado com atos públicos de religião, seja no Dia da Expiação (Lv 16.29-31), seja em tempos de perigo nacional (Jz 20.26) ou de arrependimento e renovação da fé em Deus. Sempre era ligado à oração, a humilhar-se diante de Deus, a buscar a face do Senhor, e qualquer indivíduo podia jejuar em momentos de aflição, para buscar consolo da parte de Deus, ou como expressão de piedade ou devoção conforme a ocasião que cada fiel escolhia.
Em Ester 4.16, livro em que não aparece literalmente o nome de Deus, o jejum para os judeus significava, especificamente, buscar a Deus, humilhar-se diante Dele, pedir a sua intervenção. Tratava-se de uma campanha de oração a Deus!
Os profetas podiam condenar o jejum falso, com rito praticado por pessoas que não se arrependeram genuinamente diante de Deus e que não se deixariam comover pelo amor ao próximo (Is 5.8 e Jr 14.11-12), mas, justamente assim, definem o que o jejum deve ser.
Jesus mesmo fez seu grande jejum no deserto antes de iniciar o seu ministério (Mt 4.1-2 e Lc 4.1-2). Por contraste com os jejuns tão comuns entre os judeus dos seus tempos, com tantas regras e pormenores, Jesus enfatizou ser o jejum mais um ato individual de devoção a Deus, sem ostentação pública, e menos apropriado na presença pessoal de Jesus do que depois da sua partida (Mt 6.16-18; 9.14-15).
Nossos críticos jamais deveriam esquecer a expressão “meios da graça” que os reformadores usavam bastante. Orações, leituras bíblicas, pregações, o batismo, a Santa Ceia e numerosos princípios registrados na Bíblia, todos são meios de o crente apresentar a mão vazia para aceitar a graça. “Graça” desvinculada de qualquer ligação entre o ser humano e Deus parece bem sub-protestante.
Considerando infundada a declaração “os pensadores pentecostais desenvolveram uma explicação baseados nas experiências”. Convém lembrar que a “explicação” provém da Bíblia. A definição pentecostal só pode ter existência sólida no estudo da Palavra de Deus, tanto as breves meditações singelas dos mais humildes cordeiros de Jesus como as grandes obras da Teologia Sistemática pentecostal.
É verdade que a doutrina pentecostal dá muita ênfase às experiências pessoais do cristão com o Senhor Jesus. Mas, a diferença básica é que essas experiências são fundamentadas na Palavra de Deus. Religião sem sobrenatural é mera filosofia.
Na farta literatura pentecostal que tem surgido a partir de 1900, existe muitos estudos bíblicos sobre a atuação do Espírito Santo na Bíblia e comprovações de que a mesma atuação continua se desdobrando onde ela é aceita, isto sem negar a soberania divina que permite surgir a mesma operação milagrosa onde nem era esperada. Quaisquer experiências são fruto dessa atuação do Espírito Santo, “repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11). Cada uma tem suas características individuais.
Uma das características da Dispensação da Graça é o fato de Deus comunicar-se com cada crente individualmente, independentemente de sexo, raça e idade, por meio de sonhos, visões, profecias e até pelas pequenas coisas naturais do dia-a-dia (At 2.17-18). Esses privilégios eram restritos aos profetas ou alguém escolhido por Deus para uma obra específica nos tempos do Velho Testamento (Nm 12.6).
A notícia a respeito do batismo no Espírito Santo e os dons milagrosos que se seguiam correu muito rapidamente, e muitas pessoas acolhiam-na como cumprimento dos seus anseios espirituais. As experiências seguiam às doutrinas; assim como também a experiência segue a conversão, como realidade sólida baseada na obra específica realizada por Cristo.
Temos, sim, o dom da profecia, mas apropriado para surgir num culto de adoração. O dom provem da parte do Espírito Santo. Assim, temos em Atos 21.9 “quatro filhas donzelas, que profetizavam”. Recebiam o dom de profecia da parte do Espírito Santo. As igrejas pentecostais legítimas andam na Bíblia, é o Espírito Santo quem lhes confirma a total veracidade e o poder espiritual das Escrituras Sagradas. Não sei se outros grupos, mesmo tendo pais espirituais de 488 anos atrás, estão tão fiéis à Palavra de Deus... A marca distintiva da Reforma Protestante está presente em nosso meio Sola Scriptura, Sola Gracia, Solo Cristus e Sola Fides. Nossa crenças e prática são provenientes das Escrituras Sagradas. Defendemos os mesmos pontos cardeais da fé cristã das demais igrejas e denominações co-irmãs.

Esequias Soares é pastor, líder da AD em Jundiaí (SP)  e da Comissão de Apologética da CGADB.

Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2005, Pág. 14.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

QUE SINAL DEUS PÔS EM CAIM?


“Gênesis 4.15 diz que Deus pôs ‘sinal em Caim para que não o ferisse qualquer que o achasse’. Que sinal é esse?”
(Geú Alves de Oliveira, Maceió, AL)

Esdras Costa Bentho

Caim, esse enigmático! Os mistérios rondam a figura controversa do personagem. Por que o sacrifício oferecido não agradou a Javé? Qual o sinal de Caim? Afinal, quem era a mulher com quem se casou? Da exegese histórico-crítica à fundamentalista, todos tentam decifrar, sem sucesso, os segredos que pairam sobre sua figura cripta. Até mesmo Saramago, ganhador de vários prêmios literários, entre eles, o Nobel de Literatura (1998), ensaiou uma resposta mordaz ao dilema cainita no livro “Cain”. É impossível ler Gênesis 4 e ficar indiferente às nuanças do relato. Apesar da dificuldade em responder objetivamente a pergunta-chave, é possível uma aproximação com os elementos fundantes do texto? Acredito que sim, embora a resposta talvez não dilua todas as incertezas.
Suponho que o leitor já conheça a narrativa bíblica a respeito do fratricídio e sabe que o “sinal” foi para proteger Caim em vez de condená-lo (v.15). o sinal, no hebraico ‘ôth (semeion na LXX), é usado no Antigo Testamento mais frequentemente como um termo teológico para descrever “sinais pactuais”, como os concertos noético ((Gn 9.12-17) e abraâmico (Gn 17.11), ou “sinais milagrosos”, como as pragas (Êx 4.8). nalgumas vezes possui sentido comum (Gn 1.14; Nm 2.2), mas seu uso predominante é teológico. O “sinal de proteção" continuará como tema recorrente na Escritura, como por exemplo: (a) o sangue nos umbrais das portas (Êx 12.13); (b) à marca na testa (Ez 9.4); e (c) o selo na testa dos 144.000 (Ap 7.3). na Antiguidade o sinal/selo sobre alguém ou objeto designava a coisa selada como propriedade de alguém e, portanto, intocável por outros (Ct 4.12; 8.6; Dn 6.18; 12.4; Ef 1.13). Assim, o sinal de Javé expressa propriedade, proteção e segurança contra assassinato.
Assente o conceito teológico de ‘ôth, sinal, passemos para sua interpretação concreta. O que era o sinal? Na história da interpretação da perícope, diversas posições foram adotadas. Comecemos pelo o livro apócrifo “O Primeiro Livro de Adão e Eva”. No capítulo 79.18-25 diz que o sinal era tremer e sacudir initerruptamente. Em suma, outras posições adotadas por diversas escolas foram: cor negra, tatuagem e alguma forma de sinal sobre Caim.
Não é necessário perder tempo com a primeira posição, visto que a origem da cor negra segundo o literato estaria ligada aos descendentes de Noé. A segunda seria um tipo de marca na testa de Caim que o identificaria como protegido por Javé e ao mesmo tempo traria sobre si a ignomínia e a culpa de seu pecado. A Bíblia nunca disse que o sinal estava sobre a testa de Caim, mas pelo fato de a marca aparecer noutros contextos na fronte dos protegidos de Javé, imediatamente relacionaram o sinal cainita a esta parte. O terceiro procede de uma possível releitura do v.15. Enquanto as versões costumam traduzir “e pôs...um sinal” esta escola traduz “apontou...um sinal” e outra “estabeleceu um sinal”. O sinal não estaria em Caim, mas sobre ele, como no caso do arco, após o dilúvio, em 9.12. Deus apontou alguma espécie de sinal para Caim em vez de marca-lo. A pergunta ainda continua aberta!                

Esdras Costa Bentho é pastor, teólogo, pedagogo, professor na FAECAD, mestrando em Teologia pela PUC-RJ e autor dos livros Hermenêutica Fácil e Descomplicada, A Família no Antigo Testamento e Igreja Identidade e Símbolo, editados pela CPAD.    
Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2012, Pág. 17.

         

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

TODO SONHO TEM INTERPRETAÇÃO?

Como posso saber se os sonhos estão me dizendo alguma coisa da parte de Deus?
(Priscila Olímpio, Rio de Janeiro – RJ)


Osiel Gomes

Compreender os sonhos tem sido uma ação constante do homem, durante toda a sua existência. Historicamente, isso pode ser provado na vida de muitos povos. Por exemplo, para os judeus os sonhos serviam como uma revelação divina, mas de três maneiras eles faziam suas intepretações acerca dos sonhos: Primeiro, eles diziam que os sonhos poderiam ser interpretados espiritualmente, como revelação direta de Deus, segundo, afirmavam que os sonhos poderiam ser apenas reflexões normais da vida cotidiana, servindo como uma mensagem para melhorar alguns aspectos da vida, tanto física como material, e me terceiro, afirmavam que os sonhos poderiam ser vistos apenas como um tipo de aviso.
O filosofo Bérgon acreditava que os sonhos tinham ligação direta com os sentidos e a memória, fazendo assim uma ligação entre ambos. Sigmund Freud afirmava que os sonhos eram apenas a realização de algum desejo, que servia como um meio para livarar o homem de energias negativas. Para os fisiologistas os sonhos são apenas rações dos estímulos externos. Muitas dessas definições têm ligação com o que dizia o rei Salomão:
“Porque da muitas ocupação vêm os sonhos...” (Ec 5.3).
Nessa polissemia, quanto à questão da definição precisa dos sonhos, existem aqueles que veem os sonhos apenas como um reprocessamento mental de coisas que já aconteceram, outros, como no caso de Jung, dizia que os sonhos eram mensagens simbólicas, e através dessas mensagens poderia se buscar o equilíbrio para algumas áreas da vida. É nesse prisma que os sonhos são avaliados como solucionadores de problemas, daí a razão para muitos buscarem as interpretações dos mesmos.
Diante de tudo o que está sendo exposto, podemos fazer a seguinte indagação: até onde podemos considerar os sonhos como revelação direta de Deus para nós? Primeiro é preciso que analisemos as Escrituras, porque tanto no Velho como no Novo Testamento os sonhos não são apenas reprocessamentos mentais, reflexões da vida cotidiana, mas a maioria deles estão ali registrados como revelações direta de Deus para expressar a sua vontade (Gn 28.12; 37.5; Dn 1.7; 2.1). O mesmo acontece nas páginas áureas do Novo Testamento, os sonhos que José, os magos e a mulher de Pilatos tiveram, (Mt 1.20; 2.2-13; 27.10) não foram apenas sonhos fisiológicos ou reprocessamento mental das coisas que aconteceram, nesses sonhos estava expresso a vontade de Deus, como também o aspecto profético.
Os profetas do Velho Testamento tinham consciência que muitos sonhos não passavam apenas de reflexos vazios, coisa sem sentido, (Ec 5.7), e também sabiam que para a formação moral espiritual do povo o que deveria ser pregado era a Palavra do Senhor, pois, nem sonhos, nem visões estavam no mesmo nível dela, é isso o que diz o profeta Jeremias, (Jr 23.28).
Os sonhos podem ser considerados como uma revelação divina, quando eles trazem uma mensagem de iluminação sobre algum tipo problema, fala sobre alguma necessidade espiritual ou dá algum tipo de instrução moral. Mas o cristão sabe que a sua vida não pode ser dirigida por sonhos, visto que a Bíblia mostra que não são os sonhos que devem nos ensinar, mas sim a Palavra de Deus, é Ela que é útil e proveitosa para tudo, para nos tornar perfeitos para toda boa obra, como também a mais perfeita revelação de Deus ao homem (2 Tm 3.16-17; Hb 4.12).

Osiel Gomes é vice-líder da Assembleia de Deus em Coroatá (MA) e professor de Teologia.   

Jornal Mensageiro da Paz de Julho de 2012, Pág. 17. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

POSSO EXIGIR DE DEUS AQUILO QUE É MEU?

“Se tudo é de Deus e eu sou filho Dele, posso exigir Dele aquilo que me é de direito?”

(André Dias – Rio de Janeiro, RJ)


Levi Matos Marins

Quando Jesus nos ensinou a orar (Mt 6.9-13), Ele deu alguma instrução sobre exigir dEle “o pão nosso de cada dia”? Ou exigir o “livra-nos do mal”? é claro que não! Oração é sinônimo de rogar, pedir, e não de dar ordem. Será que Jó ordenou que Deus lhe restituísse tudo? Será que Abraão ordenou a Deus que lhe desse uma descendência como as estrelas do céu e como a areia do mar? (Gn 15.5; 22.17) será que José ordenou a Deus que lhe desse a soberania sobre o Egito? A resposta para todos estes casos é NÃO.
A Bíblia Sagrada não mostra seus personagens ordenando a bênção. Na verdade, o Senhor é quem ordena a bênção (Sl 133.3). Se os homens de Deus jamais oraram ao Senhor expedindo ordens, porque alguns pregadores defendem essa prática? Eles a defendem por razões sensacionalistas. Essa prática surgiu com o pregador americano Kenneth E. Hagin, que difindia diversas heresias como o “movimento do cair no poder” e a “unção do riso”. Quando falta a verdadeira unção de Deus, os homens começam a busca inovações humanas e anti-bíblicas. Hagin torceu as Escrituras em João 1.13, dizendo que o termo “pedirdes” pode ser substituído por “ordenardes”.
O termo “pedir” é tradução do grego aitéo e descreve um suplicante, alguém que está numa posição inferior, alguém que não tem (Mt 7.7). Descreve o filho pedindo pão ao pai (Mt 7.9,10), os sacerdotes pedindo a um superior – Pilatos (Lc 23.23). O mesmo termo é aplicado a um mendigo pedindo (no grego, aitéo) a Pedro (At 3.2). podemos conceber o mendigo ordenando a Pedro? Logo, o significado desse termo não se aplica a ordenar. Havia a palavra que denotava alguém que estava em igualdade com o atendente, que era o termo grego erotao, que se traduz por suplicar. Mas, Jesus não usou essa palavra no versículo base de Hagin. Observe Jesus falando do homem pedindo, e Ele pedindo ao Pai: “Naquele dia, pedireis [aitéoI] em meu nome, e não vos digo que eu rogarei [erotao] por vós ao Pai” (Jo 16.26). Alguns termos gregos que são traduzidos por “ordenar” e “determinar” são keleuo (Mt 8.18; 14.19) e prostasso (Mt 1.24; 8.4; 21.6; At 10.33). Mas, em nenhum momento a Bíblia utiliza esses termos para descrever o cristão pedindo benção.
O que nós recebemos de Deus é pela graça, ou seja, favor imerecido. Alguém que recebe o favor imerecido não pode ordenar. O autor desta teoria não respeitava a soberania de Jesus Cristo. Veja o que ele descreve sobre nós e Jesus Cristo em um dos seus livros: “Ninguém poderá oferecer-me nada melhor. Nem o próprio Senhor Jesus tem uma posição melhor diante de Deus do que você e eu”.
Ora, se Deus é o seu Senhor, como você pode lhe dar uma ordem? Se você segue essa prática, está assumindo uma posição de senhor. a Bíblia diz que para você receber, você deve “se humilhar, e orar, e buscar” (2 Cr 7.14). não está escrito que você deve ordenar. Deus sabe tudo que você necessita “antes de vós lho pedirdes” (Mt 6.8) e o capítulo que nos ensina que a benção de Deus nos alcança também diz  que “o Senhor mandará que a benção esteja contigo” (Dt 28.8 – Grifo nosso).     

Levi Matos Marins é pastor, conferencista, bacharel em Teologia, pós-graduando em Ciência da Religião e docência do Ensino Superior, e reitor do Instituto Bíblico Beth-Le-Hem.  
Jornal Mensageiro da Paz de Novembro de 2012, Pág. 17. 

domingo, 9 de novembro de 2014

O VALOR DAS PEQUENAS COISAS


Por Eliel Gaby

É de causar admiração a Bíblia enfatiza com tanta precisão as pequenas coisas e como ela dá, de forma geral, importância às coisas pequenas. Davi venceu o gigante Golias com uma pequena pedra; Sansão matou mil filisteus com uma queixada de jumento; Esaú vendeu sua primogenitura por um prato de lentilhas; Jesus nasceu numa pequena aldeia de Belém; as pequenas raposas são responsáveis pela destruição de uma videira; Jesus disse que a fé como um grão de mostarda, cuja semente é muito miúda, mas essa fé tem o poder de remover montanhas.
Ou, seja, aprendemos nas Sagradas Escrituras que a grandeza não está no tamanho de algo, mas na potencialidade desse algo.
Em Zacarias 4.10, o Senhor perguntou o profeta: “Quem despreza o dia das coisas pequenas?” esta passagem indica que algumas pessoas consideravam a obra de reconstrução do Templo de Jerusalém no período de Zorobabel sem importância, ou seja, insignificante. Essas pessoas desconsideravam que aquele trabalho era abençoado por Deus, tendo valor e importâncias eternos.
Davi no Salmo 37.16, disse: “Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios”. Essas afirmações indica que a benção de Deus sobre o pouco produz contentamento e alegria, tornando a adversidade em paz, devido à benção divina.
O texto bíblico de Gênesis 48.17-19 demonstra que, mesmo sendo menor, a tribo de Efraim tornou-se maior em número, poder e dignidade. Donald C. Stamps, no comentário dessa passagem nas notas da “Bíblia de Estudo Pentecostal”, mostra que, em diversas ocasiões na história do Antigo Testamento, Deus escolheu o filho mais novo em vez do mais velho:
a) Gênesis 21.12 – Escolheu Isaque em vez de Ismael.
b) Gênesis 25.23 – Escolheu Jacó em vez de Esaú.
c) Gênesis 48.14-20 – Escolheu Efraim em vez de Manassés.
d) Gênesis 48.21,22; 49.3,4 – Escolheu José em vez de Rubén.
e) Juízes 6.11-16 – Escolheu Gideão em vez dos irmãos dele.
f) 1 Samuel 16 – Escolheu Davi em vez dos irmãos dele.
Stamps afirma que “isso evidencia o fato de que ter primazia entre os seres humanos não significa ter primazia com Deus, pois Ele escolhe as pessoas à base da sinceridade, pureza e amor, e não da sua posição familiar”.
No Evangelho de Mateus, capítulo 20 e versículos 25 a 28, Jesus definiu quem é considerado o maior no Reino dos Céus: “...mas todo aquele que quiser, entre vós , fazer-se grande, que seja vosso serviçal; qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, ou escravo bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos”.
Jesus estava ensinando que, aos olhos humanos, aqueles que exercem autoridade ou possuem domínio são considerados mais importantes, grandes ou maiorais, mas, no Seu Reino, a grandeza não é medida pelo domínio exercido sobre outrem, mas pelo serviço que um dedica a outro.
No Evangelho de Mateus capítulo 18 e versículos de 1 a 4, os discípulos indagaram a Jesus, demonstrando que tinham interesse em saber quem ocupava uma posição de maior destaque no Reino de Deus. Jesus, chamando uma criança para perto de si, respondeu: “Em verdade vos digo que, se não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”.
É preciso que nós, servos de Deus, nos esvaziemos de todo sentimento de presunção e de ambição pessoal servir a Deus com integridade, pois nosso próprio Deus chegou a lavar os pés dos discípulos (Jo 13), mostrando explicitamente que veio para servir e não para ser servido.

Eliel dos Santos Gaby é pastor, diretor da Faculdade Teológica da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), Engenheiro de Produção, pós graduado em Gestão de Progetos, mestre em Teologia, escritor, conferencista e professor em Escolas de Obreiros. 

Jornal Mensageiro da Paz de Novembro de 2011, Pág. 18. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

IMPOSIÇÃO DE MÃOS



Carlos Kleber Maia

O escrito da Epístola aos Hebreus fala de seis coisas elementares que cada crente, mesmo os novos na fé, precisam conhecer antes de amadurecerem, e entre elas está a imposição das mãos (Hb 6.1,2). Segundo o Dicionário Bíblico John Davis, a imposição de mãos era um ato simbólico pelo qual se fazia a congregação de uma pessoa ou animal para um fim específico.
A imposição de mãos envolve basicamente um princípio de transferência, de benção, de culpa, de poder ou de autoridade. Deve ser usada com cuidado, mas não deve ser negligenciada, pois é um importante meio dos membros do Corpo de Cristo servirem uns aos outros, quando uma pessoa coloca sua mão ou ambas sobre o corpo de outra pessoa, com um propósito espiritual definido. Propósitos para imposição de mãos:
1) Imputar
Os israelitas punham as mãos sobre a cabeça das vítimas quando traziam um animal para o altar dos sacrifícios e o consagravam a Deus, como representante e substituto do pecador (Êx 29.10,15, 19; Lv 1.1-5; 4.15; 8.4,18, 22; 16.21; 24.14; Nm 8.12; 2 Cr 29.23). A ideia era transferir a culpa para aquele animal, que seria sacrificado em favor do pecador.
Também quando alguém era apedrejado por ter cometido sério delito, os anciãos impunham as mãos sobre ele (Lv 24.10-14). Neste caso, as testemunhas declaravam que a culpa caísse sobre o ofensor. O lavar de mãos significava: “Não somos culpados” (Dt 21.6); a imposição: “Ele é culpado”.
2) Curar
O emprego da imposição de mãos na administração de curas já era conhecido no Antigo Testamento. O general Naamã aparentemente esperava que o profeta Eliseu a empregasse no seu caso (2 Rs 5.11). Em nenhum texto a imposição de mãos é apresentada como algo mágico e poderoso em si mesmo, nem como um gesto necessário para que algo especial aconteça. Em alguns casos, surge como um gesto litúrgico. No caso da oração por cura, era um gesto de fé na ação divina. Exemplos:
- Jesus curou muitas pessoas impondo-lhe as mãos (Mt 8.3,23; Mc 1.41; 6.2-5; 7.32; 8.15, 23-25; 16.18; Lc 4.40; 5.13; 13.13; 22.51). isso era tão habitual que as pessoas que o procuravam pediam que Ele impusesse as mãos sobre os enfermos (Mt 9.18; Mc 5.23; 8.22) ou mesmo que os enfermos tocassem nEle (Mt 14.35,36). O toque físico de Jesus era um meio de transmissão da cura e, por isso, as pessoas procuravam tocar-lhe (Lc 6.19; Mt 9.20-22,25; 20.34; Mc 1.31; 5.41; 9.27; Lc 7.14; 8.51; 22.51). Tão frequentemente Jesus tocava as pessoas, que estas mencionavam que milagres eram operados por Suas mãos (Mc 6.2).
- O Senhor também delegou esse poder a sua igreja (Mc 16.18).
- Os apóstolos impuseram as mãos para curar (At 5.12; 9.12-17; 28.8-9). Por meio de Paulo e Barnabé, Deus operou milagres, “por suas mãos” (At 14.3; 19.11). Tiago parece sugerir essa prática, associada à unção com azeite e oração (Tg 5.14-16). Eles criam que era a própria mão de Deus que esteva operando por intermédio de suas mãos (At 4.29,30).
3) Consagrar 
O ato de imposição de mãos significa, segundo autorização divina, que aquela pessoa estava separada e autorizada a realizar determinada missão. Exemplos:
- A imposição de mãos do povo de Israel sobre a cabeça dos levitas consagrando-os ao serviço do Senhor em lugar dos primogênitos de todas as tribos (Nm 8.10,14,19);
- Moisés impôs as mãos sobre Josué para transmitir-lhe autoridade e separá-lo para ser o novo líder do povo de Deus (Dt 34.9; Nm 27.15-23; Js 1.16,17; Nm 8.10).
- Paulo e Barnabé são separados para o trabalho missionário pela a imposição de mãos, assim recebendo uma unção especial para realizar aquele trabalho (At 13.1-4). A Igreja que impõe as mãos abençoa, envia e assume, diante de Deus e dos homens, o compromisso de cuidar dos enviados;
- Os diáconos (At 6.6) e os presbíteros (1 Tm 5.17-22) foram separados através da imposição de mãos. Isso significava que o ordenado recebia autoridade e ficava devidamente autorizado para exercer o ministério.
- Paulo e Barnabé elegiam (no grego, cheirotoneo = impor as mãos) presbíteros em cada cidade onde estabeleciam igrejas (At 14.23). Um irmão foi também eleito (mesmo verbo no grego) para levar as ofertas para os crentes da Judéia (2 Co 8.18,19).
- Um caso curioso é o do profeta Eliseu na consagração de Jeoás, rei de Israel, pois impôs as mãos sobre ele e sua arma, com a qual venceria os siros (2 Rs 13.14-19).
4) Abençoar  
A imposição de mãos, muitas vezes acompanhada de oração, simboliza a transmissão da benção àqueles sobre quem é realizada:
- Jacó sobre a cabeça dos filhos de José, dando-lhes lugar entre os filhos e conferindo-lhes as bênçãos do Pacto e transferindo-as a eles do mesmo modo que haviam feito os seus antepassados (Gn 48.5-20).
- Jesus abençoava especialmente as criancinhas, impondo-lhes as mãos (Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 18.15).
5) Outorgar o poder e os dons do Espírito Santo
Muitas vezes os crentes impuseram as mãos sobre aqueles que desejavam o batismo com o Espírito Santo, bem como sobre aqueles que buscavam os dons espirituais:
- Pedro e João impuseram as mãos sobre os crentes de Samaria (At 8.14-24);
- Ananias ministrou cura e o poder do Espírito Santo sobre Paulo (At 9.10-17);
- Paulo orou e impôs as mãos sobre os crentes de Éfeso para que recebessem o batismo e os dons do Espírito Santo (At 19.6).
- Timóteo também recebeu dons pela imposição de mãos (1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6).
Quando devemos impor as mãos?
Para pedir a Deus a cura ou a benção sobre alguém, podemos fazê-lo sempre que for necessário. Entretanto, antes de impor as mãos em novos obreiros, ministros ou missionários, deve-se levar em consideração o tempo certo fazê-lo com grande cuidado. A imposição de mãos é o último e mais público dos estágios do processo de tomada de decisão diante do Senhor.
Obviamente, não se deve escolher a pessoa errada, que poderá trazer a ruína e a divisão para a igreja (1 Tm 5.22). impor as mãos, neste caso, está relacionado com o reconhecimento do chamado de Deus e não deve ser feito sem a direção do mesmo, mas deve ser para confirmar a Sua vontade sobre alguém e não para determiná-la segundo nossa própria vontade. A igreja deve zelar para não delegar autoridade e estabelecer no ministério pessoas despreparadas, mas considerar o tempo certo e fazê-lo com grande cuidado.
Impor precipitadamente as mãos sobre alguém traz dificuldades para aquele que o faz, pois o mesmo pode tornar-se co-participante dos pecados do que foi consagrado, se este vier a cometê-los, além de ser culpado de: 1) erro na consagração; 2) falta de discernimento espiritual; e 3) precipitação na escolha.
Como impor as mãos?     
Normalmente, a pessoa que recebe a imposição das mãos fica em posição que facilite o ato, de joelhos ou sentada, a aquele que impõe as mãos orará no mesmo ato. Às vezes, um grupo de crentes circundará alguém com necessidades e todos imporão as mãos sobre esta pessoa.
Conclusão
A imposição é um meio pelo qual os cristãos servem uns aos outros, seja abençoando, curando, transmitindo o poder do Espírito Santo ou reconhecendo o ministério que Deus lhes outorgou. O uso da imposição de mãos para imputação de pecados ou culpa é mais necessário, pois Cristo já cumpriu a obra de Salvação e pode perdoar todos os que se achegam a Ele em arrependimento e confissão. Assim, não devemos menosprezar este ato, mas seguir o exemplo de Jesus e da Igreja Primitiva, e usá-lo com sabedoria e fé.
Bibliografia
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
ELWELL, Walter A. ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2009.  

Carlos Kleber Maia é ministro na Assembleia de Deus em Natal (RN) e bacharel em Teologia do Novo Testamento.
Jornal Mensageiro da Paz de Julho de 2013, Pág. 16.